sábado, julho 16, 2005

Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac...

20h45min. Sexta-feira de uma semana cheia. Cheia de trabalho, aulas, problemas. Pouco descanso. Nenhum prazer. E estas poucas e mal traçadas linhas são tudo o que tenho até agora.


Acabo de sair das minhas 2h diárias de aula de inglês. Ainda não sei em que língua escrever esta crônica. Talvez devesse tentar o mandarim...


51: Pirangi-Rocas. Do outro lado do ônibus um sujeito estranho me observa. Não sei se está me admirando, querendo me assaltar ou se está com medo de mim.
Definitivamente, sei que devo estar parecendo uma louca que acabou de deixar o hospício por um túnel cavado por seus próprios delírios e anseios de liberdade.


Ouço os Beatles (Taxman, Eleanor Rigby,...) enquanto tento extrair da minha exaurida mente umas poucas palavras que façam sentido.

Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac...


Não sei que horas são. Desisti de usar relógio há algum tempo. Não me serve de nada. Mas sei que estou quase em casa.
Uma música vinda do cd player me faz flutuar. Ao som de Yellow Submarine viajo, devaneio. Enquanto isso, penso que até agora não escrevi nada que fizesse sentido algum. Onde eu estava com a cabeça quando achei que seria capaz de encarar esse desafio com sucesso?

Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac...


Estou em frente à locadora, esperando o sinal abrir. Lembro que não tenho grana nem tempo para filmes este fim de semana.
Lembro que não escrevi uma linha sequer do que meu English’s teacher pediu. Deveria ter sido entregue hoje. Now is late.

(...)

(Pausa para a árdua caminhada até minha casa)

Quase não consigo abrir a porta. Afinal, ainda só tenho dois braços (e duas mãos). Mas já tenho um projeto para construir muito úteis apêndices (quem viu Spiderman 2?)
Cheguei.

(...)

Quase não há espaço na minha cama para deitar e continuar a escrever essa crônica (que os imortais me perdoem por essa infâmia).
Rony sobe e deita-se ao meu lado. Mas agora não tenho tempo para afagos. Ouço em algum lugar o movimento dos ponteiros de um relógio imaginário.

Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac...


Repasso mentalmente o dia de hoje. Mentalmente não.

Este serviço está temporariamente (?) fora do ar por problemas técnicos. Nosso time de especialistas está trabalhando com afinco para resolvê-los o quanto antes.


Repasso MECANICAMENTE o meu dia.

(Pausa para uma exclamação: estou ouvindo agora Norwegian Wood. Thanks God!)

Apenas três coisas rondaram o meu pensamento hoje:


Tudo o que deveria fazer no fim de semana e sei que não farei;

Lembrei que iria ao cinema quarta à noite. Assistiria a “Quarteto Fantástico”. Mas o telefone tocou ao fim do dia e ele disse que não poderia me acompanhar àquele dia. Espero que ele lembre de ler esta crônica (ha ha ha).


Lançamento mundial de Harry Potter and the Half-Blood Prince a 0h de sábado. Lembro que os afortunados, os escolhidos, já o terão lido até domingo. E eu continuarei na mais profunda ignorância. Não saberei quem é o tal Half-Blood Prince nem o novo Ministro da Magia ou o professor de Defesa Contra As Artes Das Trevas. Não saberei que personagens morrerão ou por que os olhos verdes da mãe de Harry são tão importantes. Não saberei se Severo Snape é leal à Dumbledore ou fiel servo de Lord Voldemort.

(Desculpem-me por isso, mas foi irresistível. Precisava partilhar minha angústia)

Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac...

Lembrei-me então que eu já tinha um começo para minha crônica. Semana passada estabeleci uma regra para facilitar minha vida. Deveria escrever meu texto até quarta à noite, digitar às quintas e revisar às sextas. Não consegui fazer nada disso. E essa ainda é a segunda semana (vida longa ao Expressões!).

Devo confessar que tal qual um famoso personagem (que eu não vou dizer quem é) de uma séria de livros, tenho o que se pode chamar de “um certo desprezo pelas regras”. Inclusive pelas minhas.


Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac...


E agora, José?
O tempo acabou
O sono bateu
O cansaço chegou
A luz ainda não apagou
As idéias se perderam
Porque no meio do caminho
Havia uma pedra
Chamada vida moderna.
Pai, Livrai-me de todo o mal
E Perdoai os meus pecados
Sobretudo este
Que acabastes de ler.

6 comentários:

André disse...

O que me deixa mais intrigado (ou entrigado... não estou lembrando qual é ao certo... mas bem... não importa) é o Severo Snape.

E agora, José!? Humm... O que seria da música sem um Carlos Drummond de Andrade!? Ou até mesmo sem um Chico Buarque de Holanda!? Ou um Tom Jobim!? E um Luiz Gonzaga!? Eles sim merecem um reconhecimento que dificilmente terão!

Abraços! Muito bom o texto! =*

Múcio Góes disse...

Amém! O que seria de nós, sem cr^nicas vivas para de ler?... dessas que pulsam... []'s

Mary disse...

Lilica!
Vc sabe que escreve muito e tá arrasando! Gosto muito do seu jeito de escrever! Só não gosto do Harry Potter... risos.. Enfim... Beijos ;***

Anônimo disse...

Crônica ou não? Bom texto, com maravilhosa finalização, pouco perdido em seus desvaneios, mas o que seria do mundo se estivéssemos em nosso mundo apenas os normais?

Classificação: 3 estrelas

PatitaM disse...

Esse sono é um probleeema...bendita cama da solução!

E é pecado mesmo escrever caindo de sono?! Será meu Deeeus?!!!!


Tic Tac, Tic Tac...

Beeeijo!

Anônimo disse...

Excellent, love it! http://www.audi-manhattan.info/Questions-for-acuvue2-brand-contact-lenses.html