quinta-feira, junho 08, 2006

Pra não dizer que não falei da copa

E foi diante da tevê que me veio aquele gosto ruim na boca, seguido de um embrulho no estômago. Estava lendo um livro, e por raras vezes desviava o olhar dali. Foi aí que entrou o noticiário, e desviei. Era a própria alegoria da barbárie. Selvagens invadindo um prédio público, gritaria generalizada. Um carro foi virado. Uma mulher com cara de “que faço eu aqui?” quebrava terminais de consulta eletrônicos com uma barra de concreto, e ficou sem jeito ao mirar a câmera. Que nojo, pensei.

O MLST, uma dissidência do famoso movimento vermelho, aquele que recruta moradores urbanos para se passaram por agricultores, parece ser mais radical. João Pedro Stédile, do MST, se vangloria das invasões, destruições de materiais de pesquisa. Bruno Maranhão liderou a baderna de ontem, e se jogou no chão simulando passar mal. É filiado ao PT, e disse que seu movimento “tem um projeto”. E eu me pergunto, qual seria esse projeto? O governo Lula assentou menos famílias que o de FHC. É de revoltar mesmo, ver um seu par no governo lhe dar as costas. Porém, nada justifica o que se fez ontem. Talvez o projeto de Bruno seja esse mesmo, o de invadir, quebrar, fazer mídia.

Verdade é que fui pesquisar e acabei descobrindo que o escroque Bruno é um rico filho de usineiros de Pernambuco, e mais, vem a ser meu conterrâneo. Mora num prédio de luxo em Recife. Foi um político frustrado. Criou esse movimento de baderna, e deu no que deu.

Aqui, em qualquer esquina, corre em boca larga o que realmente se dá nessa relação agricultor/movimento. Maioria deles tem propriedade. Em geral casa própria. São pessoas que se filiam com o intuito de ganhar um pedaço de terra, ou lote. Ganha-se a terra, a ajuda oficial do Incra, entre outros benefícios. Depois se vende essa terra, e assim gira a roleta da sacanagem. Há agricultores que chegam aos assentamentos dirigindo camionetas importadas. Há relatos de agrônomos que são obrigados a dividir o salário com o movimento, dinheiro que vem de Brasília. Enfim, há a grande massa de manobra, os idiotas que se sujeitam a invadir/destruir patrimônios alheios, tudo em nome de uma bandeira cada dia mais desgastada. Bandeira na qual o povo não acredita. Eu não acredito. Ontem se viu estudantes, desempregados, menores, pseudo-trabalhadores rurais, todos presos pela vergonhosa ação do dia anterior. Ação previamente organizada com a intenção de desestabilizar a situação, criar impasses políticos.

Acredito sim, na minha bandeira, na bandeira do meu país. E, de amanhã em diante, é nela que vou depositar minhas esperanças, já que nesse campo o meu país manda bem. Eu acredito. Vamos correr atrás de mais um título, vamos desviar nossa atenção dessas imagens podres, essas que mostram nosso governo impassível diante de um grupo de anarquistas; um judiciário inerte e apenas preocupado com os próprios salários. Vamos mudar o canal! Lula, traz a cerveja!

Um comentário:

Mary disse...

Muito bom, Mú!

Está difícil acreditar em qualquer bandeira nos dias de hoje...

E LulaLá com sua cervejinha na mão...

Beijos.