Poesia à lama
Dia desses, numa auto-reflexão rotineira, conclui que havia perdido minhas forças, minha capacidade de indignação, e que era hora de entregar os pontos. Senti o quão pequeno eu estava ficando, diante das monstruosidades. O PT que deixou cair por terra o estandarte da ética e moralidade. Veio o mensalão, e junto toda essa balburdia que se seguiu. Fiquei mudo. Vieram CPI´s, “cassações”, novas denúncias. E eu, calado. Tentei reagir, confesso. Reli Cervantes, revi Quixote e os moinhos, mas nada me “atiçava”. Lembrei Nicolau de Florença, e enojado, segui mudo. Diante do Word aberto, o cursor a piscar na tela pálida. E eu, estático. O que dizer sobre os acordões dos partidos para livrar a cara dos ladrões? O que dizer de um presidente de banco, que numa operação caseira, quebra o sigilo de um caseiro assalariado? O que pensar, se o tal caseiro tem um deposito de 25 mil na conta? Principalmente depois de ter estado com um Senador? Sem esquecer que o assalariado havia deposto numa CPI contra a honra de um Ministro de Estado. O que dizer?... ecoa no mar eterno de meus pensamentos esta indagação. Sequer me vem desse mar uma onda furtiva, que no mínimo me provoque os brios. E fugindo de detalhes mais sórdidos dessa área, graças a um providencial lapso de memória, recebi o desfecho em forma de dança. A nobre deputada Ângela “naoseioquê” fechou a fatura da sacanagem. Dançou feliz da vida após conseguir fazer livre da guilhotina um seu par de falcatruas, o nobre deputado João. Que tapa levamos, hein? E eu, que já escrevi tanto sobre o poder do voto, estou aqui, nocauteado. Quero pular fora desse balde de Halotano em que me encontro. Quero forças para gritar, reagir, fazer algo, mas... não vou me repetir nesse tema, fico com a poesia, com a doçura desse mundo amargo dos mortais. Deixo aos safos, aos poderosos legisladores que se acham dono da verdade suprema, deixo a estes o veredicto divino, esse é infalível.