terça-feira, julho 12, 2005

Neném...

Toc! Toc!
- Quem é?!
- Neném!
Toc! Toc!
- Quem é?!
- Neném!
Toc! Toc!
- Quem é?!
(Eu, lá pela trigésima vez!)
- Neném! (Ela, minha sobrinha, com o mesmo entusiasmo da primeira...).

Saindo do banho e abrindo a porta...
– Ah! É você, Neném?!

...

Eu quero ter filhos. Pensava em ter quatro. Também pensava em ter o primeiro, não, primeira filha com 15 anos. Pensava desde a época das bonecas e do meu casamento com o Rey, aquele lindinho dos Menudos... Acho que era a fase do “Não se reprima”! Felizmente, anos depois me reprimi e debutante, ainda não transava, já gostava de Nara Leão e sonhava com o príncipe encantado. Bem, nessa fase são tantos os cavalos perdidos que chegam sem seus donos...

- Não, titia, não pode beijar na boca de Mel!

Mel é uma yorkshire de 3 anos (sei lá quantos na idade “cachorral”)...Que como diz minha cunhada, uma pessoinha que finge ser cadela...E a titia, Beatriz, que sem cerimônia, receio ou pré-julgamentos adora fazer carinhos e dar beijinhos naquela quase “gente”. Gosto de observar a inocência vibrante em menos de 1 metro a correr pela casa... a fazer coisas que nós já “desinocentes” insistimos em podar... Inocência ainda viva... Até que se perca...Quando a perdemos? Freudianas fases a revelar?

Não lembro em qual esquina deixei a minha... E estou cada vez mais, burramente com os pés no chão...Pelo menos tentando... Já tenho medo de arriscar sem medidas como antes... São tantos “mas e se...?” Que desaprendi a beijar na boca de cachorro e sair correndo, rindo...

Burramente... Pra mim, sábia era a sensação do gostar despreocupado, do não ter receio de corar ou desejar sem me perguntar sobre o depois... E me entregar ao depois... E só me saber depois... Inconseqüência? Saudades das inconseqüências...

Mas os dias removem a crença... Ou a removemos nós?... A crença nas vastas possibilidades... Nas graduações almejadas... Nas contas bancárias estufadas... Na crença que o outro crer no mesmo que você.

- Tsc! Tsc!!!

Aaaahhh, se meus pés estivessem tão fincados na areia assim, como digo eu por aqui... Seria mais feliz?! Sou eu, feliz?! Sou feliz! Pelo menos, na grande maioria das vezes em que me lembro ser...

Ainda creio nas verdades... Principalmente quando vejo o Nemo capenga, lindo, driblando coloridamente o pai chato e seus desafios, comendo pipoca doce, em pleno domingo, ao ladinho da Neném!




10 comentários:

Vinicius disse...

Que saudades do meu sobrinho... Essa minha vida de caixeiro viajante tem algumas desvantagens...

Mas você disse algumas verdades. Infelizmente os anos nos tiram a vida. Porque o que temos hoje é o que restou da vida de verdade. Hoje somos apenas o resto.

Anônimo disse...

Cada vez melhor. Ótimo texto, parabéns!

Classificação: 4 Estrelas

Ercília disse...

Pois é. Primeiramente gostaria de desculpar-me com meus companheiros que acessaram o MSN agora há pouco porque eu não pude respondê-los. Minha orientadora de mestrado estava ao meu lado acertando alguns experimentos pra essa tarde.
Mas vamos ao que interessa. Adorei o Neném, Patrícia. Muito fofo. Como nossos planos vão se modificando com o passar dos anos, não é mesmo? Eu também queria um montão de filhos, mas tive que mudar de idéia. A natureza me pregou uma peça. Mas melhor assim. Quando chegar a hora certa cuidarei de adotar minhas crianças. Pelo menos não posso ser acusada de transmitir à gerações futuras esse gene dominante e muito resistente da loucura insana dos apaixonados, quase poetas e agora quase cronistas. Mas eu sinto uma coisa diferente comigo. Os anos não me fizeram perder a vontade de beijar minha cachorra na boca. Nem meu gato. Pelo contrário, faço isso com mais freqüência e intensidade do que quando era criança. Lógico que cresci (e como, 1.80m não é pra qualquer um), amadureci, adquiri mais responsabilidades. Mas meu espírito é livre. Mais do que antes. Acho que os anos fizeram com que eu crescesse de cabeça pra baixo!!!! Ando descalça, tomo banho de chuva, vejo desenho animado, beijo minha cachorra na boca...e ainda tenho fé no ser humano. Vixe, melhor parar por aqui. Assim já estou escrevendo quase uma nova crônica!

Parabéns, Patita!!! Brindemos então à paixão e a liberdade de espírito!!!!!

Baiano disse...

É. Amadurecer é mesmo uma faca de dois "legumes"... :)

[]´s

Múcio Góes disse...

Soltar os laços, bater asas, crescer, crer, ser, Ah Nenem... tao linda essa crônica... bateu saudade crônica de algo que nao vivi... []'s

Mary disse...

Paty,
Lindo texto!
Bateu saudade da infância... como éramos felizes longe desse mundo real... inocência vibrante como vc mesma disse... que vai perdendo-se com o nosso crescimento... e agora, como vinicius disse, somos restos! rs.. :)
Beijo grande!

Dadox disse...

Dona Felicidade

(Trem da Alegria)

Lua lá no céu,
Queijo pão de mel
Na ponta do pincel,
Mostra no papel aonde encontrar
A tal da dona felicidade

Perguntei pro céu
Perguntei pro mar, pro mágico chinês
Mas parece ninguem sabe, aonde a felicidade
Resolveu de vez morar

Até que um anjo me disse, que ela existe
Que é tão fácil encontrar
Bem lá no fundo do peito o amor é feito
É só você se entregar

E você vai ser muito feliz,
É só na vida acreditar
E você vai ser muito feliz,
É só na vida acreditar

PS:Eu era muito feliz e não sabia...

Juliana para que Patita leia disse...

"Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu"

(Trecho de "Consolo na praia" - Carlos Drummond de Andrade)

A vida não se perdeu: olhaí Neném apontando a vida que corre! Vai, ela não corre tanto assim... Na verdade caminha "melancólica e vertical". Parte de nosso trabalho de adulto é nos permitir continuar sendo criança. A infância está perdida, mas nós não...
Lindo texto!! Quero conhecer Neném e amamentar os filhos que não pari...

Anônimo disse...

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