domingo, agosto 14, 2005

A poesia e eu

Odeio poesia. Não tenho saco para ler nenhuma. Nunca consigo gravar uma para recitar depois. Bloqueio total e absoluto. Pode ser feio realizar tal afirmação, mas é a mais pura verdade. Mas vamos aos fatos...

A poesia que eu não gosto é aquele com conceito clássico. Uma frase depois da outra, com rimas A-B-B-A-ETC, com frases curtas e que fale de qualquer coisa. Até gosto de algumas do Gregório de Matos, mais pela baixaria que por qualquer coisa. Aquela “putinhas franciscanas” era a mais divertida da escola (quando dizer putinha era proibido).

Salvo também da minha crítica alguma coisa do romantismo, algumas parnasianas e assim vou salvando.

A poesia que gosto é aquela misturada nos textos, nas músicas. Porque são livres. Não gosto de regras, porque o amor não depende de regras para existir. Ele existe e ponto final. Assim como as críticas e qualquer forma de expressão.

Houve um tempo em que eu era metido a ser poeta. Escrevia e colava, anonimamente, no mural da empresa em que trabalhava naquela época. Certa feita vi dois senhores parlamentando (parlamentando!) acerca da minha obra. Um deles, advogado, defendia com entusiasmos a minha poesia, dizendo que havia sentimento e que era algo bonito. Já o outro formado em letras, dizia que meu texto não tinha métrica e não respeitava nenhuma convenção da língua para ser considerado uma poesia. Ele disse que era apenas um texto rimado.

Como eram dois senhores que eu conhecia e gostava, me identifiquei como autor do tal texto rimado. O rabugento disse que o texto era bom, mas que daquele jeito não era nada, tinha que ter métrica e rima. Eu disse que não acreditava que o sentimento se media para ser escrito, apenas escrevia. E ele me lançou um desafio: escrever um texto com métrica.

Como eu sou chato e adoro desafios, disse que faria em 15 minutos o que ele quisesse. O corno rabugento disse que eu escrevesse, em 15 minutos, um soneto. Um soneto? Eu nem lembrava mais que porra era soneto, mas aceitei o desafio.

Fui ao Cadê! (naquela época não havia google), e pesquisei sobre a forma do soneto e li alguns do Camões (era melhor começar com o mestre). Quando eu tinha menos de 8 minutos para escrever o tal soneto, saiu isso da minha cabeça:

Soneto de Desmetrificação

Preso à métrica, fico fero.
Dentro dela: escrevo a contragosto.
Quando amo, digo que te quero.
Marginal sou, mas sem desgosto.

Em versos, meço traço reto,
E vejo armado nobres sentimentos.
Seja o amor ausência de pensamentos,
Como podes tu pensar dizer correto:

Às regras não me prendo.
Não condeno os poetas que falam por medidas
Mas, aos certos, eu me rendo
E o que eu disse já não presta
E agora já são frases descabidas.

Terminado o tal soneto, com uns 2 minutos de atraso, sai para mostrar primeiro para o advogado se era de fato um soneto o que eu tinha escrito. Ele disse que sim e ainda disse que era muito bom (para meu ego explodir).

Fui lá todo serelepe mostrar para o professor de português da empresa e a porra do velho corno e rabugento (cada vez que falo dele aumento os adjetivos) disse: é, a forma é de soneto, mas ainda falta fechar com chave de ouro, porque os bons sonetos são fechados com categoria e você entrou em contradição ao dizer que não gosta de métrica mas defende os poetas que assim escrevem.

Bom, eu poderia ter dito que chave de ouro de c* é r***, mas achei melhor sorrir amarelo e aceitar que, pelo menos, de texto rimado eu escrevi um texto que tinha forma de soneto.

Odeio poesia.

7 comentários:

PatitaM disse...

HAHAHAHAHAHA... Vinícius, só você pra deixar a minha noite mais leve. Se bem que meu domingo foi deliciosamente agraciado pela presença da minha amada sobrinha.

Quanto à poesia... gosto, mas tb não sou boa pra registrar e declamar depois. Às vezes, transformo uns devaneios em palavras...certamente seu colega formado em letras, jamais poderá ter acesso a elas.

Bom... o ódio não deixa de ser poético... e me fez gostar muito do seu texto!

Beijo grande!!!

Leonardo Caldas disse...

lembro bem dessa história! na verdade, lembro duma carona que me deu, bem ali nas 7 portas, e de você, com toda a pompa que a ocasião exigia, me recitando o soneto! :)
adoro poesia...
e ainda assim, gosto do que você escreve... é contradição? :)

Múcio Góes disse...

Amo poesia... e daria tudo por um Gregório hoje, com essa igreja política que temos, ou, tem-se aí, prato cheio seria. E bons mesmo são criticos que o fazem com o manual debaixo do braço. Amo poesia, mas bem antes, amo a liberdade, a de "rimar romã com travesseiro..."

[]´s

Vinicius disse...

Na verdade useio o ódio como referência antagonica à minha devoção.

E só o renato consegue rimar romã com travesseiro...

Múcio Góes disse...

Claro, gênio é gênio, usei-o como referência à liberdade poética, Renato podia tudo. []´s

Anônimo disse...

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