domingo, setembro 25, 2005

O faz de conta

Eu tenho 25 anos. Sou analista de sistemas por formação e estudo administração de empresas. Dizem que o curso de administração é a escolha de quem não sabe o que quer. Mas ninguém sabe o que quer. Eu não sei se quero ser analista de sistemas ou administrador. Mas eu sei o que eu quero: ser músico. Mas a arte é algo que nasce com você, salvo os casos em que seu pai é um rico empresário da música, cantor consagrado ou alguém com influência, porque aí entram as questões sorte e influência.

Eu nasci sem talento e meu pai não preenche nenhum dos requisitos acima. Então eu fico em casa, tocando meu violão e sonhando com um palco, minha banda de rock e uma multidão capaz de encher dois Maracanãs, porque se é para sonhar, quero ter a maior banda de rock de todos os tempos. Mas aí o despertador toca e eu tenho que levantar da cama, tomar banho e sair para trabalhar, porque quem não tem talento para fazer o que quer, faz o que precisa.

E eu sou um analista de sistemas, que estuda administração e trabalha numa grande empresa de auditora e consultoria. Porque se é para fazer o que se precisa, que se faça numa grande empresa, que não paga grandes salários, mas faz você viver num faz de contas. E ainda por cima te dá status social, como se isso fosse importante. E eu realizo auditoria e consultoria em empresas maiores que a minha, dizendo para os outros como fazerem seus trabalhos, como se eles não soubessem fazê-los.

Além de cantor-líder-gostoso da maior banda de rock de todos os tempos, eu queria ser o compositor da banda. Não um compositor qualquer, como tantos que existem por aí. Eu queria ser o porta-voz das gerações, o messias da juventude, e ter um carisma maior que o palco montado para suportar a mega estrutura dos meus shows. Era preciso bater no liquidificador o Renato Russo, o Cazuza, o Raul Seixas e ainda ter generosas pitadas de Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

Com tanto talento para escrever, eu também escreveria livros. Poderiam ser romances. Mas a rede Globo tentaria adaptar meus livros para novelas e eu não deixaria. Se fosse para o cinema eu poderia deixar, porque eu gostaria de incentivar o cinema nacional, que está muito bom nesses dias. Eu poderia até escrever alguns roteiros, porque com tanto talento para escrever, eu poderia fazer o que quisesse.

E esse talento todo me permitiria escrever excelentes textos, para eu publicar aqui no Expressões Digitais. Assim vocês ficariam livres dessas bobagens que tenho escrito atualmente, porque eu estou totalmente sem inspiração, cheio de idéias, mas vazio de forma.

E na próxima semana, quem sabe, saem desses dedos palavras mais serelepes, dessas que pulam do monitor, mas que eu ainda não encontrei.

Mas estou procurando.

4 comentários:

Edsob disse...

Vinícius, talento e criatividade para sonhar e escrever nao lhe faltam. Ótimo texto!Abraços!

Múcio Góes disse...

Grande Vini, acho que não te falta nada, ou, uma oportunidade, quem sabe... Mas juro que visualizei teu show, do caralho 2 maracas lotados! E por fim, um escritor iria desbancar esse Paulo Coelho, pelo talento, claro!

[]´s

Mary disse...

Belo texto, Vini!
Beijos!

Anônimo disse...

Enjoyed a lot! » » »