segunda-feira, janeiro 02, 2006

...and a happy new year

A idéia inicial era me ater a fazer um par previsões para o ano que se inicia. Mas cá entre nós, não sei até que ponto as previsões vagas da morte de uma velha e querida personalidade do meio artístico, ou do escândalo do desvio de verbas públicas envolvendo deputados em Brasília seriam provas do mérito de meus poderes premonitórios. Resolvi portanto, como é tão comum nesta época do ano, traçar alguns objetivos a serem perseguidos durante o ano. Creio que divulgá-los aqui não é tão mau assim... Afinal, eu certamente teria de dar satisfações depois sobre possíveis - e prováveis - previsões não realizadas... mas que dizer de objetivos pessoais não alcançados? Cabem a mim, e só a mim.

Comprar um fusquinha.
Talvez o mais correto fosse "comprar um carro". Afinal, assim deixaria a cargo da criatividade de quem lê dar forma a meus sonhos automobilísticos. Mas não é bem isso que quero... Imagina só você, leitor, em sua criatividade bondosa me colocando num daqueles carrões importados cuja quantidade de botões e luzes piscantes do painel provavelmente exigirá a leitura de um manual de complexidade não muito menor que o de um dos novos gadgets tecnológicos de última geração. Sem falar no fato de que eu não gosto deste tipo de carro. Não me imagino chegando ao Mercado do Peixe, cercado por seus aprazíveis botecos com mesinhas de plástico e banheiros ao ar livre, praquele congraçamento de praxe com a natureza e com os amigos num desses veículos. Fusquinha, por outro lado, é arredondado, pequeno, muito bonitinho - se bem conservado - e cumpre bem seu papel de me levar ao trabalho e trazer de volta pra casa sem maiores percalços (e em completo mimetismo com o ambiente que costumo frequentar). Sem falar no fato de que é muito estiloso, e tem pra mim o gosto bom da infância que deixei pra trás há muito tempo.

Enriquecer.
Tinha que necessariamente colocar este item, sob o risco de parecer um desses hippies comunistas sem ambição. A possibilidade é remota, no entanto. A não ser que software livre e todas as atividades envolvidas em seu desenvolvimento, implantação e manutenção tornem-se nos próximos meses extremamente rentáveis (e não se tornarão, acreditem...), terei de bolar uma atividade mirabolante qualquer, como a concepção de um negócio no estilo de comercialização de fraldas descartáveis, marijuana ou papel reciclado pela web. Assim posso ficar rico vendendo a empresa, como já fizeram tantos outros antes de mim. A não ser isso, é apelar pra possibilidade remota (!?) do enriquecimento por meio do sagrado joguinho das sextas-feiras na loteria esportiva com os colegas do trabalho. Hmm... quer saber? Eu gosto dos hippies comunistas e sem ambição, no final das contas...

Continuidade do e-digitais.
Este é um dos que pretendo levar mais a sério. Este projeto literário me pegou numa época em que eu meio que tinha "perdido o dom"... Quem gosta de sentar em frente a um micro e dar vazão ao processo subjetivo de passar idéias desconexas da cabeça pro "papel" bem sabe quão broxante é a impossibilidade de fazê-lo, quaisquer que sejam os motivos. Foi deliciosa portanto a sensação de perceber que eu "ainda podia", e é aos trancos e barrancos que venho tentando - dentro do que permite minha natural instabilidade - me fazer sempre presente neste cantinho já tão querido.

Encontrar um grande amor.
A bem da verdade, eu já o encontrei. E ele é bonito, tranquilo, duradouro, simples e muito intenso, do jeito exato que amores pra vida toda devem ser. Reapareceu ano passado (e ora vejam, já se pode falar em 2005 com certo tom de saudosismo!), e tem um quê de trágico, e é só.


Ler ao menos um livro por mês.
É uma daquelas resoluções que se toma e acaba entrando em choque direto com outra. Do jeito como vejo, a coisa é assim: "compro um fusquinha, ou leio um livro por mês..." Explico: Politicamente incorreto como possa ser do ponto de vista da visão (lenda urbana ou não, tem aquelas histórias de deslocamento de retina que todo mundo conhece), eu tenho o hábito de ler em coletivos. São inclusive os períodos mais rentáveis no que diz respeito a devaneios literários! Ora, que outra hora do dia eu poderia dedicar à leitura, se começasse a ir ao trabalho dirigindo? Oh, dúvida cruel...

Enquanto escrevia, fui me dando conta da quantidade de planos e objetivos esdrúxulos para os quais pretendo direcionar energia no ano recém-iniciado. Alguns são só tarefas bobas (como tentar pôr alguma ordem em minha coleção de gibis e digitalizar minha coleção de discos), outros tem possibilidade de realização tão remota que provavelmente não valeriam um segundo pensamento (acho que a viagem a Cuba vai ter de mais uma vez ficar entre esses últimos), e ainda um terceiro tipo, sobre o qual não pretendo fazer menção neste texto...

Mas seja lá como for, um detalhe importante - ainda que sutil - fica disto tudo. É essa impressionante capacidade do ser humano em geral de, por mais sem sentido, pequena e cheia de obstáculos que seja a vida, encontrar sabe-se lá onde esse tanto de fé no que está por vir... Essa fé no incerto, que o faz parar num dia como esse de hoje, e pensar: "Ahhh!! Esse ano vai!! Esse ano eu sei que vai!!"

Que o ano que chega seja para cada um de nós, e-digitais, bem como para cada um dos que nos agracia com o prazer da presença, nem melhor nem pior do que o que consigamos fazer dele.

4 comentários:

Ci. disse...

Léo, vim ler seus planos e percebi que vc só quer coisas básicas, simples, fáceis de se conseguir...Então, cara, lhe desejo toda sorte pq se a gente não puder planejar e sonhar q porra será que vamos poder fazer??Puta beijo.

Baiano disse...

Para isso, precisaremos de um mundo justo conosco. Quem sabe?
Hippies comunistas é bem coisa de reacionário de carteirinha... :)
E o Web-Bob - On-Line "Bases" é uma idéia deveras interessante. Poder-se-ia começar contratando uma dessas empresas de moto-boys pagos por entrega... :)
Boa sorte, meu velho! Feliz ano novo para você!

[]´s

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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