terça-feira, janeiro 17, 2006

Primeiro Post

Ela me olhou com lágrimas nos olhos, beijou a minha testa e disse:

- Eu não voltarei mais.

Fechou a porta, levando consigo os resquícios de meu amor, as suas fotos, as suas roupas que cheiravam a mel e que me derretiam cada vez que eu as tirava. Levou consigo o seu olhar que me deixava louco e me fazia sentir que eu era amado. Ela levou consigo todas as pequenas coisas e todo o castelo que construir para gozarmos o nosso amor.

Fui até a cozinha, os meus olhos já não seguravam as lágrimas que escorriam sobre a minha pele, me fazendo sentir como uma criança. Peguei o uísque que estava na geladeira. Não me detive, abri-o e fiz escorrer seu azedo leite por entre a minha boca de uma vez só. Fui ao meu quarto, peguei a única foto que não a deixei levar. Fora tirada no auge do nosso amor quando não tínhamos feridas a se tocar, nem dores a se lamentar. Quando ainda éramos amantes. Em prantos Rasguei-a e gritei até não ouvir mais a minha voz.

Caído no chão, acordei e ela não estava lá para me colocar sobre a cama, para cuidar de mim com tanta delicadeza que só ela sabia fazer. Tomei um banho rápido, vesti uma roupa surrada, suja. Peguei minha carteira. Sai de casa. Fui ao harém mais próximo e gastei todo o meu dinheiro, todo o meu amor, todo o meu desejo e toda a minha dor naquelas mulheres, procurando-a, mas ela não estava lá. Voltei para casa sujo, empodrecido com aquilo que tinha feito. Pensei em ligar para ela, pedir desculpas, falar que só ela me consola, falar que ela era o amor da minha vida, mas não quis e por um instante pensei em tirar a minha própria vida. Fui então novamente à cozinha, peguei outra garrafa de uísque e senti-o escorrer novamente pelos meus lábios, pela minha garganta pelo meu estômago. Tudo girou. As lagrimas não paravam de cair, já não me segurei, liguei para ela, pronunciei meia dúzia de palavras sem sentido, ela desligou na minha cara falando para eu não mais procurá-la. Meu coração disparou. Lembranças de tudo que foi bom e também de tudo que foi ruim passaram pela minha mente.

A ela dediquei toda a minha poesia, toda a minha bebedeira, todo o meu corpo. Por ela morri.

Ps: Olá pessoal ;] sou Fábio, amigo de Marina e ela me chamou para ser convidado desse blog do qual eu sou fã. Adoro os textos daqui e para mim é uma honra participar aqui com vocês com meus textos que ainda não são lá essas coisas mas dão pro gasto. Esse daí de cima é antigo e foi inspirado num texto que li por aqui. Achei interessante colocá-lo como primeiro post.

5 comentários:

Múcio Góes disse...

Grande Fábio! Seja bem vindo! Saudações literárias!

[]´s

Leonardo Caldas disse...

pelo visto, temos o prazer de contar com mais um literato cuja intensidade transparece a cada parágrafo. :)
grata surpresa a tua vinda, fábio! seja bem vindo ao grupo!

Mary disse...

Aeee, Fábio!
Seja bem-vindo! ;p

:*

PatriciaM disse...

Eita, Fábio!

Bem-vindo a esta terça e aos nossos dias...Tenhamos uma bela comunhão de boas idéias e maravilhosas energias!!!

Grande beijo!!!

Anônimo disse...

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