sábado, março 18, 2006

Dos amores que tive (e tenho)

Você já amou? Pergunta besta, não é? Tenho poucos e bons amores, amores incondicionais. Amores que só por si se justificam, amores que não fizeram nenhum esforço pra nascer, crescer, se reproduzir e viver. Dos amores que tive (e tenho), lembro exatamente do dia em que chegaram a minha vida.

Lembro do dia em que vi Julia pela primeira vez, se eu fechar os olhos agora, vejo com nitidez aquela menina com rostinho expressivo saindo do centro cirúrgico (nunca chorei tanto em minha vida). Vem claramente à lembrança o sorriso largo de Eduardo recebendo os candidatos para o estágio na TV Subaé, quem diria que aquele grandalhão iria entrar de forma tão irreversível em minha história? É impossível ouvir falar em Chico Buarque e Botafogo sem associar a ele.

Catharina eu conheci em um caruru que fui em sua casa, éramos duas meninas com menos de 10 anos, a gente brincou até a exaustão, comeu goiaba e bala de santo, no final do dia peguei seu número de telefone e escrevi na parede do meu quarto. Nunca liguei, mas a vida nos juntou novamente alguns anos depois, sorte minha! Com Ricardo a amizade foi virtual no início, mas a primeira imagem que tenho dele é de um homem altíssimo, com blusa de frio, cor mostarda, um sorriso lindo, vindo em minha direção com os braços abertos, estávamos na rodoviária de Vitória da Conquista, exatamente um ano depois de a gente se conhecer e desenvolver uma concreta relação de amor pelos caminhos imprecisos da Intranet.

E Zohra? Aquela figura esquisita que ficava no fundo da sala comprida do 3º ano, ninguém tinha coragem de chegar perto de tão arredia que era a criatura, não sei se por capricho ou inocência eu arrisquei (e deu certo!), as vindas aqui em minha casa, as descobertas de livros, músicas e sabores de bebidas alcoólicas, os palavrões, e o jeito debochado de ser de uma influenciou a outra.

Tem também Leonardo, conheci Leo (xleonardox, pra ser mais exata) num dia relativamente místico, 04/04/04, Leo ama um pingüim, gosta de meu cabelo (mesmo despenteado), me faz feliz e é a única pessoa pra quem eu arrisco falar meu portunhol descarado. É uma pessoa pra quem posso falar um 'nunca te vi, sempre te amei'.

Duda foi uma relação de amor requentada, nos conhecemos há mais de 15 anos, mas a amizade se firmou mesmo há alguns meses, mesmo ele sendo meu colega há um tempo maior. Ninguém substitui outra pessoa, mas este cara teve papel importante pra segurar a barra quando Eduardo foi embora para Conquista, Duda ganhou a mim e a minha família, e eu sei que nós o ganhamos também, hoje ele é um dos nossos.

Não posso esquecer Amaury, meu irmão, meu doce irmão. Micareta de 2001, eu estava trabalhando com Eduardo e de repente vejo minha irmã aparecer com um sorriso de quem estava realmente feliz, e ao seu lado estava um rapaz lindíssimo, com um sorriso ainda maior, e desde então ele faz parte de minha vida. Tem também as minhas irmãs e mainha, as minhas meninas, elas só serão citadas. Seu Zeca e Gabi, os homens da minha vida, também. Deles, qualquer coisa que eu diga pode parecer leviana ("amor que não se pede, amor que não se mede, que não se repete").

Dos amores que tive (e tenho), lembro exatamente do dia em que se separaram da minha vida. Posso dizer exatamente o que senti no dia em que partiram (e partem), poucos deles convivem comigo. Zohra está em Brasília, Eduardo em Conquista, Ricardo em Salvador, Catharina em Muritiba, Leo eu nunca encontrei, está no mesmo lugar de origem, Julia está comigo, Duda não foi embora, Amaury está com as minhas meninas, Gabi e seu Zeca estão juntinhos, um cuidando do outro.

Os que se separaram de mim, às vezes reaparecem como um nó na garganta, como uma falta no corpo, mas passa porque eu sei do reencontro. Os que se foram pra sempre reaparecem em minhas lembranças e sonhos. Nenhum deles me deixa só, o amor que tenho por eles quase consegue suprir as faltas físicas.

Desculpe se você veio ler uma crônica ou um conto, e encontrou esta confissão, é que eu acordei com saudade. E destes meus amores eu não poderia deixar de falar, porque qualquer coisa que eu já escrevi ou venha a escrever, certamente vai ter alguma coisa relacionada a eles, já cada um está em mim, assim como eu mesma, formando este mosaico que se chama Lélia Maria.

Agora me fale um pouco sobre os amores que você teve (e ainda tem).

4 comentários:

Vinicius disse...

O amor que tive, tenho e pelo visto terei, não quer sair da minha vida. Não me ama, mas não me deixa ser livre e feliz.

Coisas da vida.

Leonardo Caldas disse...

e vem a menina lélia, me enchendo de amor um sábado que de outro modo teria tudo pra ser insosso...

ô lélia... esse é um daqueles textos que li por aqui que, quer pela pessoalidade, quer pela identificação, já tem trechos desconexos vagando na minha cabeça... e já me sinto influenciado... acho que vou ser amor depois de amanhã tb! :)

Lélia Maria disse...

“A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo”.

Holden Caufield

Mary disse...

Os amores que tive (e tenho) ainda são amores... mesmo com seus dissabores... São amores... E isso que importa... Cada um com sua intensidade... :)