segunda-feira, junho 26, 2006

Ter "vontade" é ter coragem*

Por incontáveis vezes eu me lamentei pela ausência de amores constantes em minha vida. As vezes eu reclamava de não achar a quem amar, noutras tantas, não ser correspondido. E nisso tudo sempre disse que nunca fui chegado ao amor de cabana, desses fantasiosos que Hollywood explorou muito bem ao longo dos anos. Na verdade eu não acredito em namoro exclusivamente virtual, à distância, etc. Acho que o amor é o contato diário, a troca de olhares, o cheio, o gosto e as conversas depois de um amor bem feito.

Pois bem, eu estava inocentemente em Porto Alegre, numa baladinha de véspera de feriado, sem grandes pretensões, porque lá qualquer tentativa de “ficar” com alguém já é estar com uma deusa. Mas aí tinha uma loirinha linda. Meu amigo mexeu com essa loirinha. Eu, embasbacado, desencanei totalmente dela. Mas ela foi ao banheiro e meu amigo, impaciente como sempre, resolveu partir para uma morena. Ela voltou e, depois de me certificar que ele estava bem acompanhado, permiti uma aproximação. Depois veio o primeiro beijo e algumas carícias.

Eu realmente esqueci que algumas cidades, estados e regiões nos separavam e acabei me envolvendo. E pior: ela também se envolveu. E jamais isso me aconteceu antes. Eu tive a impressão de já conhecê-la. Era como se seu beijo pertencesse à minha boca desde sempre. Era como s’eu tivesse um mapa do seu corpo, percorrendo com precisão suas curvas e suas vergonhas. Eram os olhos mais familiares que já tive fitando os meus. E para ela não foi diferente. Éramos os estranhos mais íntimos que alguém pode imaginar.

E a minha confusão depois de tudo isso foi lembrar depois que eu teria que partir. Em breve! A despedida no aeroporto. Lágrimas derramadas e o não ter o que dizer além do breve adeus e da certeza de tentar voltar o quanto antes. Mas a minha vida itinerante não me permite planos. Agora sigo em Brasília. Eram 10 semanas, agora são pelo menos 4 meses.

Hoje temos como aliados o telefone e a Internet. Mas o “inimigo” conta telefônica está querendo furar os nossos olhos. Só que disciplina é liberdade. Compaixão é fortaleza. Ter "vontade" é ter coragem e, apesar de temer o amor sofrido, pois sou escolado, estou tentando me permitir a entrega, pelo menos dessa vez, a uma loucura chamada amor. E à distância.
*Sei que hoje não é meu dia de postar, mas estou tentando entrar no clima de "quem chegar primeiro"...

3 comentários:

Leonardo Caldas disse...

doly, você definitivamente me remete à idéia de um cacheiro-viajante pós moderno, que anda por aí "percorrendo vergonhas" por todos os cantos por onde passa! :)

acho que fiz bobagem, velho amigo... com minha natural desenvoltura com esses posts, acabei postando logo depois do teu :(

Mary disse...

Humm, amor à distância é mesmo complicado... Dolorido... Mas não é impossível, né?! Acho que vale a pena tentar... Sorte aí, Vini! :)

Beijos!

Múcio Góes disse...

Velho Vini... deixe o coração voar, e reforce a cera das asas...


[]´s